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SÊ A MUDANÇA QUE QUERES VER NO MUNDO!
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Ninguém se salva sozinho

Publicada por Observador@


"Seis náufragos encontraram-se numa ilha deserta, cada qual com um pedaço de madeira na mão. Não havia outra lenha nessa ilha perdida nas brumas do Mar do Norte. Ao centro do grupo, uma fogueira morria lentamente por falta de combustível. O frio era cada vez mais insuportável.
A primeira pessoa era uma mulher. Uma faúlha iluminou diante dela o rosto de um imigrante de pele escura. Com o punho apertou bem apertado o seu pedaço de madeira. Porque haveria de consumir a sua acha para aquecer alguém que tinha vindo para lhe roubar o pão e o trabalho?
O homem que estava a seu lado observou outro que não era do seu partido. Jamais gastaria o seu pedaço de madeira em favor de um adversário político.
A terceira pessoa estava ali muito mal vestida e embrulhada no seu capote besuntado, escondendo também a sua lenha. O vizinho era certamente rico. Porque é que devia usar a sua acha para aquecer semelhante rico avarento?
O rico estava sentado a pensar nos seus bens, nas suas duas quintas, nos seus quatro automóveis e na sua choruda conta bancária. As baterias do seu telemóvel já estavam descarregadas, tinha que conservar a sua acha, custasse o que custasse, e nunca a iria gastar para gente tão preguiçosa.
O rosto negro do imigrante era um raio de vingança na luz mortiça daquela fogueira. Sabia que todos os brancos o desprezavam. Jamais haveria de colocar o seu pedaço de madeira naquelas brasas. Tinha chegado o momento da vingança.
O último membro daquele triste grupo era um tipo mesquinho e interesseiro. Não fazia nada que não fosse por lucro. "Dá somente a quem te der", era o seu lema preferido. Hão-de pagar-me caro este pedaço de madeira, pensava.
Foram encontrá-los assim, imóveis, cada um para seu lado, com as próprias achas bem apertadas nos punhos e os membros entorpecidos. Não tinham morrido pelo frio exterior, tinham morrido pelo frio interior."
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Quem sabe! Talvez na nossa família, na nossa comunidade, à nossa volta, haja uma fogueira que está a morrer. Que fazemos com o pedaço de madeira que temos nas mãos?
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(Darci Vilarinho)
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Perdão e Esquecimento

Publicada por Observador@


"Mello conta a história de um pároco que estava farto duma beata que todos os dias vinha contar-lhe as revelações que Deus pessoalmente lhe fazia. Semana após semana, a boa senhora entrava em comunicação directa com o céu e recebia mensagem atrás de mensagem.
O padre, querendo desmascarar de uma vez por todas aquilo que de invencionice havia em tais comunicações, disse à mulher: "Olha, da próxima vez que vires a Deus, diz-lhe que, para me convencer de que é Ele que te fala, te diga quais são os meus pecados, aqueles que só eu sei!" Com isto, pensou o padre, a mulher vai-se calar para sempre.
Mas poucos dias depois, regressou a beata.
"Falaste com Deus?" - "Sim!" - "E disse-te os meus pecados?" - "Disse-me que não os podia dizer, porque os tinha esquecido! Não só perdoou os seus pecados, como também, depois de perdoados, os esqueceu! Ele perdoa-os absolutamente!"
Com esta resposta, o padre não soube se aquelas aparições eram verdadeiras ou não. Mas soube que a teologia daquela mulher era boa e profunda."

O "perdoou mas não esqueceu", parece uma forma humana de perdoar ou antes uma forma refinada de ressentimento e/ou de vingança?!


"Custa-nos perdoar aos outros porque nos custa perdoar a nós mesmos."

(Recolhido por J. L. Martin Descalzo em Blanco y Negro)


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