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SÊ A MUDANÇA QUE QUERES VER NO MUNDO!
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Céu e Inferno desde aqui

Publicada por Observador@

"Certo dia, um sábio visitou o inferno. Ali viu muita gente sentada em torno de uma mesa ricamente servida. Estava cheia de alimentos, cada qual o mais apetitoso e delicado. Contudo, todos os comensais tinham cara de esfomeados e o rosto emagrecido. Tinham que comer com paus; mas não podiam, porque eram paus tão compridos como um remo. Por isso, por mais que estendessem o braço, nunca conseguiam levar nada à boca.
Impressionado, o sábio saiu do inferno e subiu para o céu. Com grande assombro, viu também que lá havia uma mesa cheia de comensais e com iguais manjares. Neste caso, porém, ninguém tinha cara desfigurada; todos mostravam um semblante alegre; respiravam saúde e bem-estar por todos os poros. É que ali, no céu, cada um se preocupava em alimentar, com os compridos paus, aquele que tinha em frente."

(Fonte: De uma lenda chinesa)

A Semente que não queria crescer

Publicada por Observador@


"Há bastante tempo passou um semeador por esta nossa terra e foi deixando cair as suas sementes. Com carinho, falava-lhes e dizia algo a cada uma delas:
- Cresce bem, faz-te uma boa árvore, para que poisem em ti as aves do céu!
- Dá bom trigo, para que o moleiro possa fazer farinha e ser depois um belo pão familiar!
- Dá-nos bom azeite, para adubar os nossos alimentos!
E aquele semeador saia todos os dias a ver crescer o campo, e via satisfeito como cada planta deitava os seus talos e folhas. Contudo, entre todas aquelas plantas, notava a falta de uma semente que ainda não tinha saído para a luz do dia. Todos os dias esperava vê-la aparecer com grande ansiedade.
Lá dentro da terra, ouvia-se o rumor da semente:
- Sei que são horas de crescer, de sair da terra e deitar raízes com firmeza! Mas se saio e não chove o bastante, morro de sede! E se fizer muito frio, ficarei gelada! Se, pelo contrário, fizer demasiado sol, ficarei queimada! Pode acontecer que alguém me pise e fique esmagada...
Eu gostaria de ver o azul do céu, ser uma árvore forte e dormir à luz das estrelas, mas, se sair e as coisas correrem mal, o que será de mim?
Aquela semente não se atrevia a crescer, até que um dia, por entre as suas dúvidas e medos, se recordou do que lhe tinha dito o semeador quando a colocou na terra:
"Cresce porque necessitamos de ti! Ao teu lado passará muita gente e hão-de sentar-se aqui para descansar. As aves hão-de fazer ninhos nos teus ramos e..."
Quando se lembrou de tudo isto, compreendeu que alguém a esperava e não podia permanecer mais tempo ali, debaixo do chão.
Pôs-se a crescer e quando saiu à luz do dia, encontrou o sorriso do semeador. Desejou então, com toda a coragem, crescer ainda mais. Vieram as neves e os ventos fortes do inverno, mas lutava com todas as suas forças, agarrando-se com perseverança e determinação às suas raízes a fim de sobressair por cima das dificuldades.
E sempre, todas as tardes, encontrava o olhar orgulhoso do semeador que se fixava nela e sorria.
Assim cresceu um ano e outro, vendo como as pessoas se aproximavam pelo caminho e ao chegar ao seu lado, paravam, olhavam o horizonte e seguiam o seu caminho.
E sempre, todas as tardes, o olhar sorridente do semeador alçava a vista do chão para o céu para ver os seus últimos ramos... esperando algo mais dela.
Cada vez era mais firme, robusta e direita… quando chegava o inverno, desprendia de si ramos para o semeador fazer lenha e se aquecer dia após dia. Quando ele a visitava, dava-lhe o melhor de si mesma e pelo seu tronco corriam lágrimas de resina... de alegria, de satisfação!"

(Autor: Manuel Sánchez Monge; Fonte: Parábolas como setas)

A aldeia que se desmoronava

Publicada por Observador@

"Era uma aldeia encantadora, dessas que estão perdidas nas montanhas. Nela permaneciam uns poucos habitantes que, em geral, se davam bem, talvez porque só se cumprimentavam quando se cruzavam uns com os outros.
Na porta de cada casa, estavam escritas as habilidades que cada vizinho tinha, e, a julgar pelo tamanho das listas, o povo daquela aldeia devia ter muito valor.
Os vizinhos daquela aldeia deviam ter muito valor, mas, na rua, o tempo, a chuva, o frio... iam deteriorando as fachadas das casas.
Um dia, caiu o posto dos telefones e, quando os vizinhos passavam, diziam: "Os outros que o arranjem, eu não sou o encarregado". Pouco depois, o gelo rompeu os canos do chafariz da praça e os vizinhos diziam: "Que pena! Não haverá ninguém que o arranje?"
A água inundou a praça e corria rua abaixo, inundando tudo.
Pouco a pouco, foram-se partindo também as telhas e as casas encheram-se de goteiras porque nas listas dos vizinhos não constava a habilidade de arranjar telhados.
Nas esquinas das ruas, cresciam silvas e nalgumas ruas não se podia passar porque as ervas tinham tapado a passagem e ninguém as arrancava, porque nenhum tinha essa habilidade.
As ruas, as casas, os quintais, as fontes, tudo estava meio arruinado. Até os cartazes das portas das casas, com as especialidades dos vizinhos, estavam destruídos.
Um dia, encontraram-se, por casualidade, todos os vizinhos na praça e começaram a comentar uns com os outros os estragos que cada um tinha: "A mim arruinou-se-me o telhado..." "Eu não tenho luz!" "Eu tenho umas silvas à entrada da porta e quase não consigo sair..."
Assim, uns e outros, foram narrando as desgraças daquela aldeia que tinha chegado à ruína por causa do abandono.
Passado muito tempo, alguém sugeriu que se associassem para arranjar as casas. A todos pareceu bem a ideia de se associarem e começaram por arrancar as silvas e a erva das ruas; depois, seguiram-se os quintais, e, depois, os telhados e as casas arruinadas. Na praça, voltou de novo a correr a água do chafariz e puseram nele uma inscrição: Água, corre sempre transparente, sem te manchares com o nosso abandono. E tornaram a erguer os cartazes de cada casa, mas puseram uma só qualidade, a mesma em todos: Ajudarás sempre os teus vizinhos a construir cada dia uma aldeia nova e unida!
E a aldeia tornou a brilhar entre as montanhas e todos os viajantes que chegavam até ali, encontravam a aldeia sempre nova."

(Autor: Manuel Sánchez Monge; Fonte: Parábolas como setas)

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